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domingo, 22 de março de 2009

Minha adorada vizinha esquisofrênica-psicótica-piromaníaca


Nessa semana que se passou agora, aconteceu algo tanto quanto inusitado. Minha vizinha, Marina, de uns tempos pra cá, vem reclamando que outros vizinhos, quase que num complô, estavam utilizando o encanamento para roubar sua água. Ela chegou até mesmo a falar que a vizinha do outro lado da rua passa uma borracha por baixo da terra, para que chegue na casa dela e surrupie um pouco de sua água. Acontece que certa manhã, ela acordou reclamando para quem quisesse ouvir, que não conseguia durmir porque o barulho que as vizinhas faziam para roubar sua água era insuportável, e elas iam pagar caro por isso.
Horas se passaram, uma estranha traquilidade pairava no ar. Então, surge Marina com uma escada na mão, sobe no telhado, taca um objeto (que não sei dizer o q era) com muito querosene e pegando fogo na casa da vizinha. E não foi só um objeto, foram vários. A vizinha (da casa em chamas) aparece completamente aturdida com a situação e olha por alguns instantes a inusitada cena completamente embasbacada. Eis que Marina, como um herói das lendas antigas, enche o peito, e grita lá de cima:
- Agora pegue a água que você roubou de mim e apague isso!
A suposta ladra-de-água-de-vizinha então pega uma máquina fotográfica (dessas bem arcaicas, que voce tira foto, e gira um negocinho em cima) e diz que vai tirar uma foto para dar para a polícia. Marina ajeita seus loucos cabelos com seus loucos dedos e faz uma pose maluca (quase que uma cocota-life-style, mas não entraremos em detalhes):
- Pode tirar, eles me amam!
Passou alguns dias, a polícia volta com uma intimação, porém ela não estava em casa. Então eles deixaram a advertência na janela dela. Quando Marina chega, ela rasga o papel com uma risada translouca e diz que essa guerra ainda não acabou. Que Deus proteja as vizinhas.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O detestável Bloco do Eu-sozinho

Começou mais uma vez o tal do carnaval. Aqui no Brasil assim, ano só começa depois da quarta-feira de cinzas. Mas nunca detestei tanto um carnaval...
Lojas fechadas, todos ativamente parados. Aqui é assim: ou você viaja, ou vai pras festas de carnaval ou fica em casa. Não gostou, azar o seu. E o azar foi meu.
Meus melhores amigos quase todos foram viajar. E desses, a grande maioria não convida, não avisa, nada. Apenas vai e pronto. Se isso já não me incomodasse o suficiente, ainda tem o fato de eu tentar namorar nesse período de "folia".
Ônibus parecem que têm preguiça de passar. Ruas desérticas. Bolso vazio. Tudo implicou para que não houvesse namoro nesse feriado. E meu afastamento com Mike, que já estava afastado, se tornou um precipício de distância. E no que isso implica? Bem, Mike me fala que se sente só, não há mais certezas dos seus sentimentos, e termina comigo. Termina, assim bem simples e fácil.

Não sei o que é uma boa noite de sono já tem um tempinho, e agora que não vou saber mesmo. Estou tão revirado com tudo que está acontecendo que nem postar direito hoje eu estou conseguindo. As lágrimas não vão tardar a cair. E acho que esse é o início de um bloco que vai demorar a passar...

E na quarta, só terão cinzas.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Tédio e carrinhos

Ir ao mercado, como todos sabem, é uma tarefa hercúlea. Entrar, encontrar o que precisa ( e na maioria das vezes o que não precisa), enfrentar fila da carne, fila do queijo, fila do caixa, e se puder (e suas varizes permitirem), sair correndo quando o locutor anunciar uma daquelas promoções relâmpagos. Ainda se tornar um grande administrador, mesmo que por breves momentos, para que sobre a grana pra você comprar o Meia Hora do dia seguinte.
Já sabendo que é algo extramamente estressante para ser feito, eu e minha prima fomos hoje ao mercado para comprar algumas coisas para minha bisavó. Sem ânimo algum, entramos no maldito mercado. Nos separamos para encontrar carrinhos. Obviamente a sádica Lady Murphy entrou em ação e demoramos séculos até cada um encontrar um carrinho.
Eu e minha prima nos encontramos na seção dos biscoitos, cada um equipado de um carrinho para si. Nossos olhos brilhavam. Aquilo tudo tava um saco, não estávamos ali porque queríamos...
Não sei dizer ao certo quantas pessoas olhavam à nossa incrivel corrida de carrinhos-de-super-mercado, só posso dizer que a disputa estava acirrada. Quando quase atropelamos a terceira velhinha (muita parecida com a Rita Lee) é que resolvemos parar e inventar algo novo para fazer.
Como cada um estava com um carrinho, minha prima começou a fazer as tais compras que eram necessárias e colocando no carrinho dela, enquanto eu colocava coisas aleatórias em meu carrinho. Minha prima me ajudou com minha compra fictícia, discutindo preços comigo (em altos brados) ou com coisas como "Tô ficando mestruada, coloca isso aí" e jogando a quantidade que conseguia carregar de absorventes (sem abas) em meu carrinho. Ficamos uma hora e meia nos divertindo com uma coisa que todos estavam fazendo, mas todos estavam com saco cheio de fazer.
Quando estiver entediado em um mercado, faça isso:
1 - Pegue um carrinho qualquer, e comece a colocar coisas avulsas lá dentro
2 - Discuta sempre com quem estiver com você o preço dessas coisas que você NÃO vai levar, e se não tiver ninguém com você, discuta consigo mesmo, mas evita chegar em algum acordo
3 - Se você for homem, é ótimo levar absorventes (sem abas, meninos, nunca esqueçam)
4 - Pergunte sempre para algum funcionário onde está algum produto, e dê preferência sempre àqueles que não estão em seu alcance, pedindo sempre ao mais próximo uma mãozinha
5 - Fila da carne e do queijo são ótimas para se passar o tempo, e encha o carrinho o máximo que puder
6 - Aproveitando a fila da carne, puxe assunto com as pessoas que estiverem atrás e à frente, e demonstre uma estranha adoração por toucinho
7 - Coloque as coisas exóticas que se encontram em um mercado, como chinelos, vassouras, lâmpadas...
8 - Faça sons automobilistícos ao carrinho, e caso alguém esbarre nele, chegue perto e diga "ele não fez por mal", acariceando-o
9 - Pegue coisas de outros carrinhos e ponha no seu ( e vice-versa)
10 - Abandone o carrinho em qualquer lugar

Voilà! Vença o tédio por ele mesmo.